Sobre empatia.


Talvez possamos olhar para nossos sentimentos de uma forma diferente e recebê-los em nosso coração, como um amigo que visita nossa casa, sem categorizá-los ou combatê-los. Sem que seja preciso sufocar a tristeza por julgar ser fragilidade, negar o medo por julgar como incapacidade ou camuflar a raiva por julgá-la fraqueza.

Negar nossos sentimentos “ruins” é negar uma parte importante de nós mesmos. Ao não escutá-los, deixamos de nos conectar com suas mensagens essenciais e úteis, que trazem junto o equilíbrio da vida, da nossa vida interior.

Ao reprimi-los, intelectualizamos nossa relação com as necessidades que pedem espaço e voz. Acabamos por não as compreender em sua totalidade e não atendê-las em sua plenitude. Ao sufocá-los, optamos por não expressar ao mundo nossa autenticidade, vulnerabilidade e humanidade.

Que possamos abrir espaço interno para o sentir. Que o coração seja sala ampla e acolhedora para o que precisa chegar. Que possamos aceitar seu convite à honestidade, que nos leva ao pensar consciente.

E ao cumprir seu papel de mensageiro, que cada sentimento possa ir, deixando a certeza da gratidão e a leveza que a clareza interna proporciona, feliz por mais essa oportunidade de presença e de um agir no mundo mais autêntico, simples e possível.


Flávia Vieira

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