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Quem estamos atendendo quando estamos atendendo.


A pergunta, aparentemente óbvia, pode nos possibilitar respostas não tão óbvias assim.


O lugar do psicólogo, durante o atendimento, não é um lugar livre de si mesmo. Estamos também conectados à nossa história pessoal, nossos pensamentos e sentimentos. É na verdade um lugar que se constrói antes.


Para estarmos genuinamente disponíveis para o outro e escutá-lo com presença e conexão empática, antes precisamos ter percorrido um caminho em direção a nossa própria história pessoal, através do processo de autoconhecimento, autodesenvolvimento e autocuidado.


Sem esse tripé, que acontece na psicoterapia, supervisão e rede de apoio, nossa atuação profissional se fragiliza, tornando-se vulnerável ao (des)conhecido, que afeta de forma não saudável a relação terapêutica. Essa relação é de uma intimidade tão profunda, que pede nossa atenção constante para (re)conhecer o que é nosso e o que é do outro enquanto a sessão acontece.


A clareza acerca da relação terapêutica nos permite cuidar dos limites que se estabelecem no encontro, o que nos permitirá perceber quem estamos “atendendo”, ou seja, quando estamos ali presentes em nosso lugar e quando estamos sendo atravessados pelo que escutamos.


E quando nos percebermos atendendo nossas próprias vozes, está tudo bem, respiramos nossa humanidade, acolhemos nossos afetos e retornamos à escuta genuína do paciente, cientes de que esse fenômeno ocorrerá sempre.


O mais importante é o que fazemos com isso... e o que fazemos? Buscamos nosso suporte: psicoterapia, supervisão e rede de apoio. Assim, não nos esquecemos de nossa condição inacabada de Ser.


Simples assim!



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