O que podemos aprender com o sofrimento?


O que podemos aprender com o sofrimento? Uma pergunta nada fácil de responder, mas quero compartilhar aqui algumas reflexões que surgiram na roda de conversa com Eneagrama, quando estudávamos os padrões de atenção de nossa personalidade.


Vimos neste encontro que cada perfil de personalidade, possui necessidades centrais:


tipo 1: precisa correto; tipo 2: precisa ser útil; tipo 3: precisa ser bem sucedido; tipo 4: precisa ser especial; tipo 5: precisa ser competente; tipo 6: precisa ser cauteloso; tipo 7: precisa ser feliz; tipo 8: precisa ser dominador; tipo 9: precisa ser harmônico.


A estes movimentos da personalidade, podemos chamar de "necessidades do ego" e, inconscientemente, trabalhamos arduamente pra atendê-las. Atender essas necessidades é sofrido. Buscar ser correto, estar sempre a serviço do outro, estar sempre com alguma meta a atingir, ter que ser sempre especial no que faz, estudar intensamente para acumular conhecimento, desconfiar de tudo antes de decidir por algo, viver o máximo de experiências prazerosas, ter controle de tudo ou renunciar suas necessidades em nome da paz.


Como pano de fundo, emoções fundamentais sustentam a crença da necessidade. Medo, no caso dos mentais; raiva nos perfis instintivos ou carência, presente nos emocionais. Mas seja qual for o sentimento a sustentar, todo excesso gera sofrimento. E ficamos ali, fixados nas crenças limitantes do ego, a repetir padrões de comportamento, sem percebermos a pouca autonomia para tomar decisões conscientes e realizadoras. E nos percebemos em sofrimento.


Neste contexto, sabiamente, Rumi nos disse:


“Aprenda com o sofrimento. A ferida é o lugar por onde a luz entra em você.”


E sim! Podemos sair desse sofrimento inconsciente e limitante, se observamos que, para termos uma vida mais consciente, será necessário renunciar à esse apego egóico, que sabota nossa vida, nossos objetivos e escolhas. Falo de um outro tipo de sofrimento, que Gurdjieff chamou de “sofrimento intencional” e que, de acordo com J. Bennet, “é o sofrimento que impomos sobre nós mesmos a fim de alcançar um objetivo um objetivo impessoal ou altruísta”.


Desapegar das necessidade do ego também gera sofrimento, mas também gera crescimento. Nesse processo, vamos buscando ampliar a consciência de nossas reais necessidades, que nos levará consequentemente, a menos necessidade do lugar de “vítima”, mais fortalecimento interno para desapegar de mágoas, rancores, ressentimentos e liberar perdão para si e para os outros. É resgatar a empatia e a compaixão e colocá-las como meios de acolhermos a luz e a sombra que nos habita.


É o trabalho interior a serviço da vida. É buscar o equilíbrio entre o sentir, o pensar e o agir, que nos permitirá viver com mais autonomia em nossas decisões e escolhas, diminuindo as barreiras que nos disntancia de uma vida mais leve e feliz.