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O numinoso do terapeuta: entre estar e ser



Onde nasce a escuta do terapeuta?

Em si mesma. Na intimidade que constrói com sua própria história. Quando se vê diante da própria escuridão e desvela o desconhecido que se apresenta diante si.


A escuta para o outro nasce da coragem de ouvir a si própria. Da consciência de que o Ser terapeuta está contido no Ser Humano, e não o contrário.

Ouvir os risos, as lágrimas, as conquistas, as quedas, os tropeços e o levantar-se. Olhando para trás, vislumbrando o que estar por vir, nos encontramos no agora e partilhamos nosso desejo de Ser em sua totalidade.


O numinoso é isso: momentos que tocam profundamente, que nos fazem questionar a racionalidade, que nos convocam a conhecer espaços dentro de nós que não seriam possíveis sem a aceitação das experiências impostas pela vida.


Muitas vezes, chega pela via do sofrimento, pelo encontro com a angústia, emoção indizível, que se apresenta e não possibilita outro caminho de encontro, senão o da aceitação, como via de conhecimento do nosso Ser Essencial.


Quem busca a psicoterapia, vive esse movimento interno. Como diz Jean Yves Leloup, na obra Terapeutas do Deserto, “O numinoso nos fascina porque descobrimos a nossa realidade verdadeira, e ao mesmo tempo, faz-nos medo porque questiona o nosso modo habitual de vida e consciência.”


É a primeira etapa da travessia de consciência. Olhar para dentro de si e contemplar a alquimia entre o humano material e o humano espiritual. Entre o Estar e o Ser.

Por psicóloga Flávia Vieira

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