Ensina(dores) de vida.


Não tenho pacientes. Quem sou eu para tê-los? O que eu tenho mesmo, e que hoje reconheço com muita clareza, são ensina(dores) de vida. Essa clareza me proporciona perceber meu ofício como um grande presente da vida.


O primeiro ato corajoso é o de reconhecer e aceitar a necessidade de iniciar um processo de psicoterapia. Engana-se quem imagina ser uma decisão fácil e confortável. Imagina estar na frente de uma pessoa que você não conhece e falar sobre suas dores mais íntimas? Mesmo que a necessidade esteja sendo extrema naquele momento, ainda vejo o desafio de dizer sim para o processo.


Geralmente, a primeira sessão é desconcertante, não se sabe bem por onde começar. O choro chega, a vergonha de ss expor também. Um riso chega porque a tensão está muito difícil de dar conta. Os primeiros minutos são os mais difíceis.


Como admiro essa primeira sessão! A decisão por cuidar de si o coloca ali, tomado pela vulnerabilidade, em uma posição de total entrega e confiança. E eu ali, a recebê-lo honrando a oportunidade de aprender sobre tudo isso com seu ato.


A cada sessão, sua história vai se revelando, para ele e para mim. Eu o acompanho nessa revelação. Ele aprende mais sobre si mesmo. E eu, com sua história, também aprendo sobre luta, sobre medo, sobre sensibilidade, sobre culpa, sobre luto, sobre magoa, sobre dor.


Mas também aprendo sobre sonhos, sobre amor, sobre alegria, sobre amizade, sobre esperança, sobre resiliência, sobre recomeço. Aprendo definitivamente, que estar em um processo de psicoterapia é um grande ato de amor por si mesmo e eu, uma acompanhante privilegiada desse ato.


Cada pessoa que me procura para iniciar a psicoterapia chega como alguém que vai me ensinar sobre a vida, através de sua dores. E, nessa relação, vou honrando o desejo natural do ser humano de lutar para ser ele mesmo, pois toda busca é uma busca por dar sentido à vida.


Honro a psicologia por ser isso, uma forma de visitar almas, conhecer corações, viajar por histórias vividas e dar vida a histórias sonhadas. É isso! E amo isso!

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