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As emoções que permeiam o cuidar de pessoas idosas




Para cuidar de pessoas idosas é necessário compreender quais são as necessidades específicas dessa faixa etária, entendendo que um(a) idoso(a) não tem necessidades apenas técnicas, mas também relacionais.


Uma dessas necessidades envolve a escuta. Ela está a serviço da nossa capacidade compassiva de cuidar, de compreender o outro e de promover ações que possam gerar o alívio do sofrimento.


Aqui, deixo um grande alerta acerca da escuta enquanto ato de cuidado: é muito precioso respeitar as emoções que aquela pessoa traz (de forma verbal ou não verbal), porque todas têm uma mensagem específica sobre o momento e a situação em que o(a) idoso(a) está inserido(a).


Escutar o medo do(a) idoso(a) que a gente cuida, por exemplo, é essencial. Nós não silenciamos o medo, nós não o combatemos, porque ele não é inimigo. Ele é um mensageiro da insegurança e da necessidade de cuidar do que ali esteja sendo mapeado como perigoso.


O medo da morte, o medo da solidão, o medo de não ter condições de comprar remédios: tudo isso mostra a necessidade de escuta e de cuidado.

Já a raiva, a tendência de considerá-la uma inimiga. Mas raiva é diferente de violência e de agressividade: eu escuto a raiva justamente para que os meus comportamentos não sejam violentos e nem agressivos. Essa emoção pode ajudar o(a) idoso(a) a compreender que está, por exemplo, considerando injusto o que ele(a) está entendendo como ameaça para sua dignidade. A raiva é um alerta! Quando percebemos que algo que está no campo da injustiça, ela ajuda a construir autodefesa e atitudes que zelem pelo que consideramos justo, correto e digno.


A tristeza está muito presente na vida de quem lida com a finitude, e vale lembrar que ela não é vilã. Ela também é uma mensageira, que nos ajuda a compreender as nossas perdas: quando perdemos alguém ou algo importante; quando um desejo não é realizado, por exemplo.


Não vai ser difícil você encontrar uma pessoa idosa triste porque está doente ou porque está próximo(a) da finitude; porque está distante da sua família; porque não recebe visita; ou porque já não tem a capacidade de ter uma vida ativa como tinha antes.

Não devemos negar ou “combater” a tristeza, mas compreender que movimentos de amparo e suporte podem contribuir com o bem estar da pessoa idosa no contexto que ele(a) apresenta.


A vergonha é outra emoção que está presente e que merece ser ouvida, porque ela nos ajuda a compreender aquilo que consideramos desonroso ou não adequado. Uma vergonha muito presente nas pessoas idosas é o pudor, pois ela pode perder a autonomia de determinadas atitudes e atividades antes possíveis: tomar banho sozinho(a), trocar de roupa, usar fraldas. A vergonha aparece porque essa pessoa tem pudor em relação ao seu corpo e, ao precisar de ajuda para estas ações, pode sentir uma sensação de invasão, de perda de privacidade.


Por fim, a culpa também está presente na vida de uma pessoa idosa. Ela ajuda a entender que ações podem estar distantes dos seus valores. É comum perceber uma pessoa idosa se sentindo culpada por não poder mais cuidar da família; por não ter mais uma função familiar; por “dar trabalho”; por incomodar com as suas necessidades.


Esta emoção pode ser cuidada mostrando, por exemplo, para o(a) idoso(a) que nós não somos importantes apenas quando somos úteis, somos importantes porque existimos.

Escutar uma pessoa idosa contemplando suas emoções ajuda a compreender como ela se coloca diante da vida e de sua biografia e, portanto, como cuidar dela de forma efetiva e afetiva, preservando sua integridade e dignidade humana.


Por psicóloga Flávia Vieira

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